ou um filme de zumbi com gente cega
Pra mim, Ensaio sobre a cegueira é um filme mela-mão. Mela-mão e irritante. Primeiro pela minha crença de que nada precisa ser nada além do que já é e por si isso transforma 90% da indústria do cinema em mela-mão.
A competência técnica de um filme numa indústria onde a técnica está acima da idéia não pode constar na lista de itens mencionáveis, o filme é bonito e blábláblá, mas George Romero conseguiu fazer um filme de zumbis melhor com uma meia dúzia de colegas 50 anos atrás e sem frescurinha católica.
Se você não notou que Ensaio sobre a cegueira não passa de um filme de zumbis disfarçado de cult e com grife de prêmio nobel, desculpe, mas você é meio bocó.
Urbanidade, impessoalidade, pessoas estranhas aparentemente sem conexão, fenomeno repentino e inexplicável que transforma a sociedade, temos padrões de comportamento entrando em choque.... briga pelo básico e imperadores de pilhas de lixo.
Irracionalidade, construção de guetos e a tentativa desesperada de manutenção de algum valor da antiga civilização.
Reconhece?
A diferença aqui é a figura cristã do cara que carrega o fardo da humanidade. Se no país de cego quem tem olho é rei, no país do saramago quem tem olho se fode (literalmente), leva chifre, apanha e segura a onda naquela de que o sofrimento seu é importante à redenção coletiva.
Pois é: redenção = cinema.
Prefiro os que me mordem o pescoço e custam mais barato.
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