
nas linhas pequenas lê-se:
"solicitamos a presença de todos para que seja discutida a nova situação."
daí que eu fiquei o resto da tarde perambulando pelos corredores pra ver o resultado do meu ato terrorista.
a completa ausência de senso crítico é fatal!
passante - porra. onde é que vai rolar isso?
bruno - no bloco 02, lá em cima.
passante - massa. vou lá!
ou:
gorda - vai rolar isso mesmo?
bruno - vai.
gorda - vai ser uma palestra, mesa redonda? mini-curso? quem vai falar?
nesse momento meu espírito cristão baixa eu eu digo:
bruno - olha, num vai rolar nada não, tá. só não conta pra ninguém....
gorda - então pra quê esse cartaz ai?
bruno - é uma piada.
gorda - ah, então vai rolar uma performance lá?
bruno - não. a piada é aqui mesmo.
quando em vez ouvia um murmúrio ou outro, um comentario de quarta via sobre o fim do capitalismo naquela tarde.
será parte do evento?
será mesmo?
eu mesmo não fui, mas rolou uma galera por lá, disseram.
mantive o cartaz e, ontém, ainda escrevi à mão a tentadora frase "daremos certificados"
sei não, mas pra mim é um puta reflexo. eu, por exemplo, participo dessas algazarras agora que voltei pra ufma, mas acho que a coisa anda braba.
me inscrevi na porra de um minicurso chamado "o negro na literatura maranhense" que acabou virando um espetáculo de incompetência, discurso desorganizado, sem propósito e propaganda ativista mezzo negra, mezzo anamariabraga.
15 horas e nada de literatura, nada de maranhão.
15 horas com umas 15 fêmeas da letras.
15 horas de um show de merda que fez meu preconceito com a letras subir. Cacete!
aquela mulher até deve saber alguma coisa, mas acho que fez comigo o que eu fiz com o resto do prédio colando os cartazes.
aí que num estado cheio de negros, numa cidade cheia de negros e numa universidade não tão cheia assim, me aparece uma profesora negra pra dar um curso sobre visões acerca do negro e gasta 15 horas do meu precioso tempo falando como foi o doutorado dela em portugal, o curso da frança e de como ela conhece o mundo inteiro e que do mundo inteiro o único lugar que não é civilizado é o maranhão que, coincidentemente, é cheio de negros.
ai eu acho que ou ela tá tirando uma onda comigo ou que eu deveria apresentá-la pruns caras do movimento negro radical.
o maior problema desses lances é que eles põe cor nas pessoas que pra mim não tem cor nenhuma (ao menos acho assim). bem, é um lance foda!
no fim ela diz que "adora colocar obras locais no vestibular, pra dificultar a entrada de gente de fora na ufma"
pergunto se ela acha isso certo. digo que melhor seria nossas escolas de merda ensinarem pra nossa gente de merda que a merda que a gente faz também é pra cheirar. e, no im das contas, pensamentos como o dela podem nos excluir de milhares de mestrados, doutorados e concursos no "mundo exterior"
"tô aqui pra falar de negro!", ela me corta brutalmente.
pego meu certificado.
ainda na "semana humanística"
o comportamento das pessoas nas "comunicações orais" (próximo encontro prometo inscrever uma comunicação oral sobre BOQUETE!) é um reflexo vergonhoso da sala de aula. o último tá fadado a apresentar o trabalho dele pro vento.
eu apresentei uma comunicção sobre o babal. o babal e o walter benjamin. foi gozado. me diverti pacas. bota a cabra pra berrar!
isso merece um texto depois. babau e W.B., tudo à ver!
é isso. fico aqui pensando nas próximas convocações terroristas no meio acadêmico.
sei que esse texto tá mais torto que o habitual.
FORA FHC!
maranhão: tempo de bombas de murrão em latas de leite!
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