quarta-feira, 28 de março de 2012

STAY PORN

Monica Mattos é a coisa mais saudável que eu conheço nos cinemas brasileiros.
Digo mais do, porque no mesmo ela não chega, nem no Roxy deve rolar.
Mas mesmo assim gosto de ver Mônica, gosto dela nas mãos do vendedor de discos piratas, quando eu pergunto, sempre: tem de putaria?
Sempre tem, quase sempre tem Mônica.
É dos de putaria que o vendedor sabe falar melhor, o resto é de porrada, de ação ou de monstro, tanto faz.

Dia desses comprei mais uma cópia do Ai que vida. se você não viu, faça o favor, que é bonito, dá sustos e orgulho e espanta meu faro de apocalipse.
Na base da contracapa, como se fosse um dvd oficial, tem aquelas letras espichadas pra cima, que quase não se lê, de um filme americano qualquer. Quem quer que tenha montado a versão mais corrente da capinha do Ai que vida, achou que ficaria mais bonito dentro dos padrões de um disco que se compra nas Americanas.
De qualquer forma, a informação das letrinhas tipo arranhacéu é ilegível e incompreensível pra maioria do público, mas a FORMA, a idéia é o que interessa.
Invente a câmera, me empreste e cale a boca!
É como uma cantada barata que funciona. Custa 3 barão, mas só vai rodar 100% na terceira cópia.

MM era meio mocréia, carnuda demais e de bochecha detonada, não muito à ver com a que ganhou o prêmio de melhor cena anal no "world's putary awards" ou que apareceu na Roling Stone e passeou por aí posando de moça trabalhadeira.
Sacou?
O primeiro boquete da Mônica foi pago, num programa. Talvez antes nem interessasse. Ela diz que não tem grilo e hoje dirige filmes. Ai que vida foi feito com uma só câmera e é engraçado como dois estados disputam em conversas de bar a procedência da fita.
"Por isso que tu foi corno", é o que os caras do pós Lula vão dizer pro cinema brasileiro, e MM vai continuar se fodendo e dando bem.

Às vezes confundo e não sei se já escrevi isso aqui, pois falo muito, mas MM tá salvando o cinema brasileiro, redimindo mesmo, é quase metalinguistico.
Tenho vontade de inscrever um filme pornô na lei Rouanet, mandar pro BNB ou algo assim.
Já cogitaram cinema brasileiro de qualidade, amplamente exportável, largamente consumido domesticamente, debatido e sem o incentivo do estado? Até onde me conste, só pornografia e Aí que vida. O segundo é uma obra o primeiro, uma indústria.
Que tranformou Mônica de tribufu em princesa, engoliu figuras quase públicas como Vivi Fernandes e produziu outras como Júlia Paz.
MM me lembra a Sasha Srey, who's "willing to be a commodity."...

My body is my art, and it’s also the tool that I use to make money. One of the stereotypes that exists in this business is that women don’t know that they're being used for money. It’s like, “Oh, the poor thing. People are making money off of her.” No shit. I’m telling you straight up that before I do my first scene, I’m aware of that. And I’m OK with that. Slowly but surely, I built my way up to be able to solely benefit as being that commodity as opposed to me benefiting with everyone else in the industry. I solely benefit now.

Sasha fala das câmeras como um ambiente seguro e de alto controle, que é mais ou menos o que disse dia desses uma pornstar do Waren Ellis.
Não vejo um filme em português que queira ser um produto, nada com o selo da Ancine pode ser um produto no sentido amplo do livre mercado, não se pode reclamar de embargos e do milho que é plantado com grana do governo americano se a gente só consegue pensar em produtos culturais dentro dessa mesma lógica.

Pra registrar a reclamação padrão #1, e possivelmente superá-la.

Mais respeito com Mônica Mattos.

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